terça-feira, 18 de março de 2014


DEMOCRACIA NO BRASIL E O PLEBISCITO POPULAR:
POR UMA CONSTITUINTE SOBERANA, NEGRA, JOVEM E DE MASSAS.

A busca por igualdade é um marco da sociedade brasileira. Diversos grupos, infelizmente, foram excluídos do processo de construção de um modelo político de sociedade no durante a redemocratização do Brasil, durante a Constituinte de 1988/89. A juventude negra sintetiza bem como a lógica na qual se insere o Estado brasileiro representa um modelo excludente de participação, o que inviabiliza o povo de se empoderar dos mecanismos de transformação social.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51% dos/das brasileiros/as se autodeclaram negros/as. No que diz respeito ao sistema político representativo, vemos que 8,5% (43) do total de parlamentares no Congresso Nacional se autodeclaram negros/as. Em sete Assembléias Legislativas do país (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) não existe representação negra. Esse dado nos desperta um questionamento: As casas legislativas possuem como pré-requisito a questão racial? Como o sistema eleitoral beneficia apenas um seleto grupo de candidatos em detrimento de uma grande maioria?
O recorte de gênero também nos aponta para um cenário que não abre espaços para as mulheres realizarem uma participação efetiva nos espaços de decisão. 52% das deputadas federais possuem entre 45 e 59 anos, enquanto os deputados possuem o percentual de 48% nessa mesma faixa etária. A lógica machista da sociedade liberal nos coloca diante de uma série de imposições direcionadas às mulheres que não possuem um tempo em larga escala para iniciar sua trajetória política.
Necessitamos reelaborar e criar novos mecanismos de participação na vida política do país que construímos. Abrir espaços para os/as negros/as, mulheres, jovens e os mais diversos grupos que, historicamente, foram excluídos da construção da nação. Faz-se necessário realizarmos um amplo debate sobre a construção popular e soberana de uma Constituinte que realmente atenda as necessidades/especificidades da juventude brasileira. Múltipla e diversa: é assim que vemos/somos os/as milhões de jovens brasileiros/as.
A juventude negra não pode mais sofrer com o extermínio que é produzido por uma lógica racista de Estado que não priorize os reais sujeitos que constroem o verdadeiro rosto da sociedade: jovem, negro/a, de periferia e que diariamente luta para ter uma vida onde todos/as tenham uma sociedade mais justa e sem preconceitos.
          Queremos com o plebiscito popular por uma reforma política, contribuir com o debate de colocar o negro e a negra como promotores/as das políticas públicas e não mais só um/a beneficiário/a. Queremos que o jovem negro e a jovem negra sejam protagonista da construção política do país.
Enegrecendo o plebiscito avançaremos para o fim do apartheid racial que enfrentamos diariamente em nosso país.
Para isso acontecer se faz necessária uma maior participação do povo negro dentro desses espaços para representar o estado de participação, reconstruindo uma lógica de Estado, fazendo sim com que estejamos à frente das grandes transformações do país.

Coletivo Nacional de Juventude Negra - ENEGRECER


1 comentários:

Larissa Morales disse...

Que ótimo texto e reflexão. Sou de Santa Catarina e como é dificil tratar destas problemáticas por aqui, pra maioria (branca) não há diferenças entre brancos e negros, o que é uma inverdade, haja vista os dados.

22 de setembro de 2016 18:47

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